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Último dia de shows do Festival Mundo 2011 movimenta Espaço Cultural com variedade de estilos e manifestações artísticas

Último dia de shows do Festival Mundo 2011 movimenta Espaço Cultural com variedade de estilos e manifestações artísticas

Cobertura: Eddie Nunes, Jéssica Figueiredo, Laysa Santos, Mayra Medeiros

Edição: Renata Escarião

Fotos: Rafael Passos

 

Acabou nesse domingo (11) a maratona de shows que movimentou o Espaço Cultural durante a última semana com a 7ª Edição do Festival Mundo 2011. O domingo foi marcado pelo metal, rock e rap com 09 bandas nos palcos principais além de apresentações de dança e de projetos experimentais no Planetário e mostra audiovisual no Cine Espaço Digital. O Festival segue até quinta-feira (15) quando é encerrada a exposição de artes visuais na Galeria Archidy Picado.

Confira o que rolou neste domingo:

Warcursed por Rafael Passos

Warcursed

Foi em 2010 que após a mudança de integrantes eles se consolidaram como Warcursed e em um ano já conquistaram  um público fiel. Prova disso foi a quantidade de camisas pretas que logo na primeira hora do domingo compareceu ao Festival . A banda abriu os trabalhos do último dia do Festival tocando no Mundo pela primeira vez e comentou que subir aos palcos do Festival foi a realização de um desejo antigo. Jean, vocalista da banda, disse que sempre acompanhou o evento enquanto público e que ter a chance de se apresentar cumpriu um papel simbólico em um momento em que a banda fecha um ano movimentado e se prepara para lançar o primeiro disco.

Thyresis por Rafael Passos

 Thyresis

O som pesado continuou com o death metal da Thyresis, que apesar de ter uma boa caminhada pelos palcos de João Pessoa e cidades vizinhas, se apresentou no Festival pela primeira vez. Formada em 2006, a banda tem uma demo lançada em 2008 e um disco homônimo, lançado este ano. Trabalho este que foi apresentado no show de final da tarde de domingo. Victor Hugo, vocalista da banda, comentou como considera importante o Festival Mundo ter reservado um espaço para o metal, já que, segundo ele, não são muitos os produtores que se interessam pelo estilo.

Rotten Flies por Rafael Passos

Rotten Flies

De volta ao Festival Mundo, a Banda Rotten Flies, trouxe músicas do seu mais novo álbum, 'Rota de Colisão', lançado esse ano. A banda que no seu repertório tenta questionar, denunciar e incomodar, deseja através da música dar continuidade a uma geração anos 80 ligada ao punk/hardcore. "As letras do mais novo trabalho, lançado pelo selo Subfolk de Ilsom Barros (Zefirina Bomba), permanecem envolvidas em clima de indignação, musicalmente recheadas de boas referências da música punk/hardcore do chamado old school 77", falou Ramsés, vocalista da banda.

Zefirina Bomba/ Foto Rafael Passos

Zefirina Bomba

Entrando no palco perto das 18h, Zefirina Bomba estarreceu o público com suas guitarras fervorosas e bateria violenta, tocando entre músicas inéditas e as já conhecidas "Eu acho" e "O que ela tem". Mas foi só depois de tomar "um dos cinco minutos que eu tenho" para fazer uma fala contundente, na qual Ilson destacou a viagem da banda ao exterior e o  problema com a Seman que aconteceu no festival no dia anterior, que o show realmente tomou corpo. O que poderia ser visto como um protesto só intensificou a energia do público, que armou rodinhas até a última musica, marcando o show como o penúltimo da leva hardcore/metal da noite.

Malefactor/ Foto Rafael Passos

Malefactor

O grupo baiano Malefactor , que já tem seus vinte anos de carreira, falou antes do show da participação no festival e do lançamento do seu álbum ainda esse mês. Para Danilo Coimbra, guitarrista da banda, "estar por João Pessoa mostrando o nosso trabalho num festival desse porte tá sendo bastante gratificante, a estrutura está muito massa e a organização do evento está de parabéns". Para quem assistiu ao show e entende do assunto, falar sobre o crescimento do metal no Nordeste fica fácil. Assim, para Rodrigo Barba, da banda paraibana Soturnus "o cenário da Bahia, principalmente o cenário do metal baiano, é um dos mais fortes do Nordeste, senão o maior. A Paraíba tá começando agora, e Malefactor tá vindo mostrar que o metal baiano conquista públicos e lugares. Todo mundo canta, se empolga".

Vivendo do Ócio/ Foto Rafael Passos

Vivendo do Ócio

Logo após a pausa para as artes cênicas e atividades culturais que intercederam os shows, o quarteto baiano Vivendo do Ócio - que agora reside em São Paulo - subiu ao palco entoando as já dadas como clássicas "Meu Precioso" e "Hey! Hey", fazendo a cena certa para o público intenso que dançava e pulava na frente do palco. Restando apenas uma música para finalizar, a banda levou os fãs a loucura tocando "Fora Mônica", talvez a canção de maior destaque da banda nesses quatro anos de carreira. Antes do show os caras comentaram como sempre quiseram tocar pelo Nordeste e como a oportunidade do Festival que une várias manifestações culturais foi um ótimo começo.

Autoramas/ Foto Rafael Passos

Autoramas

Arrastando a platéia para o outro palco logo após o Vivendo do Ócio, Autoramas apresentou seu rock'n'roll cru de forma performática, com dançinhas ensaiadas pela dupla Gabriel Thomaz (vocal e guitarra) e Flávia Couri (baixo e voz). Misturando o setlist, a banda tocou desde canções presentes no "Nada Pode Parar os Autoramas", disco de 2003, a músicas mais recentes, lançadas no novo disco "Música Crocante". Autoramas fez um show fantástico, dando espaço até para um cover: "Surfin Bird", do Ramones. Na certa, um dos shows mais eletrizantes da noite.

Baiana System/ Foto Rafael Passos

Baiana System

A banda Baiana System balançou os ânimos roqueiros da noite com seu som completamente inédito, mas que parece bater o reggae, frevo, Otto e Nação Zumbi num liquidificador de samplers, guitarras e baterias corpulentas. Ecos nas vozes e tecladinhos deram destaque as músicas hora levadas pelo rap, horas cantaroladas como antigas cantigas de roda. Um show de destaque que abriu a última atração da noite: o rapper paulistano Kamau. 

Kamau/ Foto Rafael Passos

Kamau

Jogando seus versos contundentes sobre a sociedade moderna, e agradecendo com respeito e dignidade o convite ao Festival Mundo 2011, Kamau fez um show convidativo, acompanhado com fervor pela plateia no 'gargalo' do palco. Misturando seu rap a ritmos melódicos, o cantor entoou o peso da sua voz nos microfones, carrego o público junto nos discursos intensos e fechou o último dia de shows do Festival Mundo 2011 com atitude e protesto.

DANÇA e PLANETÁRIO

Acena Dança/ Foto Rafael Passos

Para quem pôde repetir a dose neste domingo de Festival Mundo, a Praça do Povo e o Planetário do Espaço Cultural se mostraram palco de atrações ainda mais experimentais, tanto na música, quanto nas artes visuais e na dança.

Enquanto no Planetário, o projeto "O melhor amigo do homem" apresentava a soma de um produto audiovisual resultante de "brincadeiras" feitas pelo VJ Felipe Spencer com trechos dos filmes paraibanos "O cão sedento" e "O plano do cachorro" -  ao som de uma trilha sonora feita ao vivo, sob os comandos de Thiago Sombra e sob os batuques de Victor Ramalho - na Praça do Povo o espetáculo Ponto de Vista foi da Acena Dança e o Experimento Pina, feito pela Paralelo Companhia de Dança foram apresentados ao público com muitas surpresas e intervenções.

Paralelo Companhia de Dança/ Foto Rafael Passos

Para honrar o nome da companhia o experimento feito pelas bailarinas Lília Maranhão, Aretha Paiva, Joyce Barbosa e Vanessa Queiroga foi concretizado em dois palcos paralelos, nos quais se viu de tudo. Dede uma pin up pós moderna sair do auge para cair no buraco e dançar na lama, à uma bailarina "afogada" de cabeça para baixo em uma bacia cheia d'água.

 

Para completar o dia dos experimentos, o Planetário contou ainda com a apresentação do projeto Monotone, do músico Esmeraldo Marques (Chico Correa), com a participação de parceiros como Victor Ramalho e Cassiano Silva. Cheio de brincadeiras sonoras com repetições e improvisações, produzindo variados sons, de Monótono o projeto mostrou não ter nada, a não ser uma brincadeira com o nome.

A 7ª edição do Festival Mundo é uma realização do Coletivo Mundo e Circuito Fora do Eixo, com Co-realização da Secretaria de Cultural do Estado (Secult), Fundação Espaço Cultural (Funesc) e Governo do Estado da Paraíba. Conta com o apoio do Fundo Municipal de Cultura (FMC), da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope), Sebrae, Skol, ANID, SODA, Sedes, e Imaginária. Tem ainda apoio cultural de Joana Darc, Impresso Studio Gráfico, Tintin Cineclube/ ABD-PB, Antares, Sejer, 3efe, Mix FM/Portal Correio, Handful Network e JR Óptica. O Festival é filiado a Associação Brasileira de Festivais Independentes (Abrafin).

 

Mais informações no site: www.festivalmundo.com.br

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